|
Se pudesse criar com as minhas mãos Se pudesse acreditar no que criei Se pudesse alcançar o que criei Se estivesse à altura dos teus encantos Se conseguisse superar os meus medos Encontrar-te nesse teu mundo, nos teus recantos
Se pudesse ser melhor do que sou Se pudesse Se fosse capaz Se não cedesse nunca Se não fosse fraca Se a carne e o sangue não me importassem Como tu importas Como tu és o meu sangue e a minha carne
Se eu não fosse quem sou Se tivesses alguém mais forte que eu Se te valesse outra coragem que não a minha fraca imagem Fragmentada de sentido agachada na sombra
Se não fosses pele da minha pele Impregnada do teu cheiro Se não te amasse mais que a própria vida Mas preciso da vida Para te continuar a amar
Se não fosses o fôlego Se não fosses a força Se não fosses o amor personificado Elevado Transcendente O remanescente em mim
Não te podia amar mais Não consigo amar-te mais És-me em todo o meu complexo e medíocre ser Estou impregnada de ti
No teu mágico perfume de existir Que cheiro vezes sem conta Para pelo menos da minha memória Nunca te deixar crescer para longe de mim
Se pudesse ter e segurar a luz nas minhas mãos Se pudesse criar luz… Se pudesse nunca deixar cair sobre ti o véu da noite Proteger-te do breu que me ensombra por vezes a alma
Como é que se educa um raio de Sol?
Vanessa Abreu 24/08/07
(parte do meu livro A Memória das Asas, editado em Novembro de 2007 pela corpos editora)
|