Morte do palhaço Kikas enluta miúdos e graúdos

Alentejano de nascimento e minhoto do coração. Assim se descrevia Eurico Sertório Pinto Dias, que, durante mais de meio século, fez rir pequenos e grandes na pele do palhaço Kikas.

Anteontem, o seu enorme coração levou-lhe a melhor. Faleceu no Hospital de Viana do Castelo, para onde fora conduzido na véspera, devido a uma indisposição. Contava 85 anos. Eurico Dias vai, hoje, a sepultar na terra que há muito havia adoptado como sua: Moledo, em Caminha.

"É algo que nasce com as pessoas. Isto porque fazer rir é difícil. Será, talvez, a arte mais difícil. Já o contrário é bem mais fácil", dizia Eurico Dias sobre a realização que o tornaria conhecido aos olhos do grande público. Porém, o homem que durante décadas vestiria a pele de palhaço – há poucos anos era, ainda, convidado a animar serões – fez um pouco de tudo na vida. De jogar futebol nos juniores do Sporting a assentar praça no navio-escola "Sagres" e no submarino "Delfim".

Sugerida a arte pelo actor Luciano, corria o ano de 1950, Eurico Dias buscou inspiração na criação de Chaplin para desenvolver a figura do palhaço Kikas, que levou a todo o país. Na sua residência, há muito que dinamizava o "Cantinho do Palhaço", espaço onde exibia, a título gratuito, mais de quatro mil motivos de palhaços coleccionados ao longo de uma vida. Por entre a colecção, despontavam fotos suas na companhia de nomes como os de Amália Rodrigues, Eusébio, Irene Cruz, Raul Solnado e Nicolau Breyner. O funeral de Eurico Dias realiza-se às 14 horas, da capela de Nossa Senhora de Ao Pé da Cruz para o cemitério da localidade.

 

in http://jn.sapo.pt/paginainicial/

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