Porém, sublinham que a inteligência humana não depende de um único factor e que os estí-mulos externos pesam tanto como a herança genética. Já nas mulheres passa-se precisamente o contrário. Apesar de a maturidade exponenciar os riscos de anomalias como a trissomia 21, também eleva as capacidades intelectuais dos filhos.
“A inteligência é uma entidade complexa: depende de muitos genes e das acções ambientais desde o útero”, refere Heloísa Santos, geneticista e pediatra. A médica confirma que “os homens mais velhos têm com mais frequência mutações [das células reprodutivas], o que pode levar, por exemplo, a atrasos mentais ou a comportamentos autistas” dos filhos.
Já o estudo da Universidade de Queensland, Austrália, publicado na revista online Public Library of Science Medicine defende que o QI (quociente de inteligência) das criança desce à medida que a idade dos pais aumenta. Filhos de pais com 20 anos têm, em média, mais dois pontos nos testes de QI do que crianças nascidas de pais com 50 anos, revela a análise dos dados recolhidos em 33 437 menores norte-americanos, de 1959 a 1965.
Este fenómeno explica-se porque “o envelhecimento do homem cria a possibilidade de acumular erros genéticos pela constante multiplicação dos espermatozóides”, diz o neurologista Alexandre Castro Caldas. Para se multiplicarem, estas células têm de copiar o seu próprio ADN e de se dividir, um processo sujeito a erros que passam de célula para célula. João Marques Teixeira, psiquiatra, refere que a ligação entre as mutações no esperma no homem “não é uma ideia nova”, mas que “a interacção social” também é determinante para o desenvolvimento da capacidade intelectual. Por seu lado, Vitorina Passão, neurologista, concorda que, “seja qual for a nossa definição de inteligência, o potencial genético e a estimulação de interacção” têm o seu papel. De acordo com os especialistas, aspectos como a alimentação, as emoções e a educação podem contar tanto para a inteligência como a herança genética.
Mas se a idade do pai se reflecte na inteligência dos filhos, como influi o envelhecimento da mãe nas capacidade cognitivas da sua descendência?
O estudo australiano sugere que, ao contrário do que acontece com o homem, ser mãe em idade avançada beneficia o intelecto da criança, provavelmente devido à maior maturi- dade da mulher. No entanto, com o avançar da idade da mãe, tornam-se mais prováveis “anomalias cromossómicas numéricas, como a trissomia 21 (o chamado mongolismo)”, adian-ta Heloísa Santos, devido ao enve- lhecimento dos óvulos, que nascem com a mulher. “Os erros não são idênticos no homem e na mulher. O homem tem maior tendência para novas mutações porque o ADN se está sempre a dividir [para produzir mais espermatozóides]”, enquanto o das mulheres está parado, conclui a médica.|
in JN